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29 de abr de 2016

SÉRIE NOVOS POETAS DO AMAPÁ 5 - KROLLEN SOUSA


Krollen Sousa é natural de Almerim-PA, nascida no dia 24 de setembro de 1993, começou a escrever poesias com 13 anos de idade. Atualmente está cursando Licenciatura em Informática no Instituto Federal de Ciência e tecnologia do Amapá (IFAP) e participa do grupo poético Pena e Pergaminho e da Associação Amapaense de Escritores (Apes), juntamente com outros grupos virtuais de poesia. Seus poemas possuem temáticas variadas, mas presentemente vem se dedicando à poesia erótica.

Nota: 
Esta série vai prosseguir até que possamos publicar e registrar, em intervalos de 15 em 15 dias, neste blog, o maior número possível de novos autores. Aguarde para breve mais um novo poeta!!!!






Seus poemas podem ser encontrados nas páginas:




DECISÃO

As vezes sinto
Que preciso partir
Desvendar o mundo
Sem previsão de voltar,
Mas não o faço,
Pois percebo
Que nada valeria conhecer o desconhecido
E ter que sofrer com tua ausência.




A OUTRA

A cada palavra não dita
Depois da falta de demonstração
Meu peito congela
Meu coração não mais apela
Por esse amor
Que divide entre mim e ela.



DAQUI DE CIMA

Enquanto repouso nas nuvens
Vejo meu ser na inércia,
Pois a mente
Está nas alturas.

Daqui vejo a multidão
Em vida agitada,
Assim como observo outros visualizando
Suas próprias vidas.

Depois retorno
Ao meu lugar,
Porém sem entender
O que de fato aconteceu:
Se foi concreto
Ou apenas um vago pensamento.





COLAR DE TRISTEZA

O pranto suga-me lentamente
Arrastando-me para a escuridão.
Amarro os problemas
Em volta de meu pescoço
Esse é meu adereço,
A chave do fim da minha jornada.

(Autoras: Oze Fernandes / Krollen Sousa)




MARCAS DA LIBIDO

Cobri as cicatrizes
Tentando ocultar
As manchas causadas
Pelo prazer.

Permiti causar-me hematomas
De uma noite
Que eternizou
A brutalidade dos amantes.

Krollen e seu marido Fredson


PLUG IN PLAY

Meu bem,
Que vontade estou de trocar
Informações com você
Basta querer,
Pois estou louca
Para conectar o seu pendrive
À minha porta USB.






1 de abr de 2016

O POETA CARLOS NILSON COSTA - ANTOLOGIA E ICONOGRAFIA




Professor Carlos Nilson em Veneza, na Itália


O professor Carlos Nilson Costa nasceu em Monte Alegre – PA, no dia 17 de novembro de 1941, mas chegou ao Amapá ainda muito jovem e aqui estudou, constituiu a família e realizou seus projetos profissionais e pessoais. Artista plástico, poeta, professor e um admirável ser humano, Carlos Nilson é formado em Matemática e tem especialização em Planejamento. Foi Secretário Municipal de Educação de Macapá, Secretário de Estado da Educação e integrante do Conselho Estadual de Educação, dentre outras atividades que exerceu no serviço público com grande destaque, pela sua competência e dedicação, o que o coloca entre os mais notáveis educadores do nosso Estado. Na imprensa publicou trabalhos nos jornais “Amapá”, “A Voz católica”, “A Fronteira”, “O Liberal” e “Jornal do Dia” e apresentou programas de música erudita nas rádios Difusora e Educadora. 
Participou da antologia “Coletânea Amapaense”, de 1989. 
Neste especial, vamos publicar uma seleção de poemas do autor - inclusive  fac-símiles de publicações dos anos 60 do jornal Amapá. (Texto: Paulo Tarso Barros










O SOM DO SILÊNCIO

Por que buscas
na tortura de teu silêncio,
o sopro da ventura favorável?
Amargo e torturante é o teu calar!

Infiltra-te na imensidão de tua voz
E traz à tona a alegria contagiante
E companheira
De nunca estar só!




CÍRCULO

Daquela festa passada
Deixaste apenas o cavalo
Da carruagem que viajamos

Da tua fuga galopante,
No exílio angustiante que fiquei,
Restou o cavalo, que era a égua de nossa glória.

A distância do tempo que partiste
Voltou, em circunferência,
A encontrar, no ponto de partida,
A égua para a tua condução.

Fiquei a esperar a carruagem
Que viria buscar a montaria
Na fuga causada do amor perdido
Na espera fogosa do amor encontrado


 
Professor Carlos Nilson e seus familiares











TERNURA


Sinto a ternura
Feita de carne
- o teu corpo
O tempero de tua alma
leva-me saudade
de tua ausência presente

A imaginação do amor
constante
que desejo
é o mesmo amor
que sinto em ti
Mulher amada




RAZÃO DO AMOR

Muitos cantam a vitória
em hinos que sublimam as conquistas
( em verdade, gostamos de cantar nossas glórias
nem tanto gloriosas assim )!

Eu canto o teu amor
que lampeja
na vez que recordo
teu ar triste
que, cinematograficamente,
reflete ternura
de uma lembrança viva.

Não sou grato ao teu amor!
Nem busco a razão,
já que não amo
porque quero,
mas se quisesse
te amaria mesmo assim.



LEMBRANÇA DE MINHA RUA

Lembro como se fosse presente
do primeiro dia em que cheguei
-tinha sete anos!
Fazia escuro
O mato crescia em terra estéril
e o cemitério era panorama mudo e
suas paredes cinzentas tinham o ar melancólico
daquele lugar.
Macapá terminava ali!

A rua era pequena
-Nem pensei que fosse beco!
Terminava no campo santo
As casas, em perfeito alinhamento
-uma longe da outra
Davam uma visão de que havia ordem
também por lá.

A casa onde fui morar
Era toda de barro. Estava caindo aos pedaços.
Cada um era uma parte do coração de minha mãe que ruia.
O mato crescia (como  ele viceja em terra imprópria! ),
E brotavam algumas flores silvestres
Que faziam o jardim dali.

Rua, saudade de minha infância.
Das brincadeiras infantis
-de cowboys,
Apedrejador de passarinhos...
Hoje é avenida sem deixar a forma de beco

Rua da minha felicidade
E da minha tristeza,
Que no sorrir de minha existência,
Quando brotava para a vida
Na pós-adolescência,
Viste morto meu pai .

Rua triste, de onde não tive namorada.
- ela só veio depois que mudou o nome.
Rua querida, és saudade perene,
Vida em minha existência
Tão triste e só,
Oferecendo lembranças e saudades
Que parece não saem de lá.

 
Sebastião Tapajos, Carlos Nilson e Billy Blanco no Curiaú


PENSAR BAIXINHO


Hoje volto:
Triste e pensativo.....
-a noite cai
E o silêncio vive a solidão.
Hoje é noite de ficar sozinho,
 de pensar baixinho,
de pedir aos céus
o que não podemos na terra.
De fechar os olhos,
De chorar calado
E esperar a volta,
Que sabemos não vem:
Noite de ficar sozinho.




ANJO DA GUARDA

Simplesmente dormi!
Meu anjo cansou-se de velar por mim
-teve sono e entregou-se a Morfeu.

Nos lampejos da vida,
com sede de afeto,
me precipitei a realizar.

Pobre de meu anjo,
Teve que dormir um pouco!
Fiquei só!
Perdi-me no caminho.
Andei errante: fugi demais.

Agora,
Tudo é frio.
O peito gela
O coração treme solitário
E irrealizável.
Por que dormi,
se tinha tanto a completar?
-e meu anjo, pobre coitado,
Não sei onde o encontrar.




MINUTO ETERNO

Houve um minuto!
Os  sinos deixaram de anunciar,
Mas o tempo chegou.
O tempo não passa, ele chega.

Os homens não param, esperando o fim.
.....Paira uma enorme expectativa
De no momento findo,
Haver o começo de novo.



MÃE PRETA

A sombra do mundo
E o brilho do bem,
Escondem na sombra
O belo do amor.

Mãe Preta querida
Teu canto é passado
Na dor do passado
Que teu avo não contou.

Teu filho que dorme
O sono do nobre,
Não sabe de angústias vividas
Não sabe que lágrimas
Que o tempo esqueceu,
Rolaram baixinho
Nos prantos noturnos
Dos fundos dos barcos

Teu canto adormece
É diferente
Traz na tua voz
Mensagem antiga
Da dor já passada.
Não fala de bola,
Nem de brinquedos.
Só canta ternura
Do bem de tua alma

Mãe Preta querida,
Canta prá mim.
Tuas mãos calejadas,
Teu rosto  queimado,
Teu corpo sofrido,
Mãe Preta
Só falam de amor.

 
Professor Carlos Nilson e o cantor Djavan na Itália

O SOM DO SILÊNCIO


Por que buscas
Na tortura de teu silêncio,
O sopro da ventura favorável?
Amargo e torturante é o teu calar.

Infiltra-te na imensidão de tua voz
E traz à tona a alegria contagiante
E companheira
De nunca estar só.





DESMATERIALIZADO
  
Deixo cair a carcaça e caminho...
Vou seguindo na terra
Como se fosse um espectro,
Sem resistência do ar

Deixo cair as vestes dos ossos,
E nu, o meu esqueleto vai procurar abrigo
Em uma tumba de glória,
Onde a árvore nasce em forma de espada
Ferindo as dores na solidão.

Assim, descaço de carnes,
Sem cabelos,
Sem rumo determinado,
Mas com chegada certa em uma luz,
Estendo minhas mãos de falanges
E imploro a felicidade
-ao menos uma vez.


  
O RIO


Corre,
Margeando o leito calmo,
A folha caída.

Segue,
No caminhar constante
Levando lembranças
E saudades.

Vai,
Misturando às águas,
O barro santo
De vidas passadas.

E, com a terra sagrada,
Diluída na garapa gigante,
Desliza a tradição ferida
De um povo bravo e forte.

 
Momento de ternura entre pai e filho



A ROTA DO HOMEM


Acho simples voar
-até as aves voam!
Num voo curto e material
Sem a magnitude
Dos homens,
Que sobem tanto
E se perdem na grandeza
De um sorriso tácito
Bebido em taça
Com o gosto de cru.




MORTE DOS NAMORADOS


Como é triste a morte dos namorados
Mas dos que se amam
Não dos que se falam
Mas dos que se sentem


Noites claras que brilham,
Passeios,
Encontros.
Tudo transformado em noite fria
-eternamente fria.

O calor dos beijos
Foi trocado pelo frio dos mármores
Na visão branca
Como o fantasma da saudade.
E a mão
O beijo
O calor:
Como estão gelados!

Todo o calor da imensidão da noite
Agora é eterna noite das coisa geladas
E de muita solidão.





ONTEM,  HOJE E ..........AMANHÃ


Enquanto as rosas perfumarem o sereno,
O sorriso da criança entreabrir,
E nos campos se amarem as borboletas,
Acredita, sou feliz.

Após, no pomar, as árvores derem frutos,
E os galos entoarem na madrugada,
E o seresteiro amar sua namorada.
Acredita, eu vivo.

E se ainda as folhas formam copas,
E poucas flores ainda existirem,
Mesmo assim, vacilante,
Acredita, eu existo.

Mas, se as árvores não brotam ramos,
E as pétalas caem no chão
E somente o arbusto cresce em saudade,
Acredita, sou ontem.

 
Professor Carlos Nilson e o escritor Paulo Tarso Barros

EROSÃO

Na areia fina da praia
Está o pássaro ferido
-caído.

Na pedra lisa do riacho,
Está o velho pescador
-pescando.

Na brisa lenta do Amazonas
Estão as ondas tristes
Chegando.

E o pássaro caído,
Morto na praia
Mudo, deixou de cantar.

E a pedra gasta,
Continente ontem,
Desfez-se: erosão

E a brisa lenta
...muito lenta
Parou.


 O HORIZONTE


Que busca o homem ao olhar o horizonte
Que busca ele, achar em sua melancolia silenciosa, na imensidão das águas e na grandeza do céu?

Ele diante da distância é pequeno!
Busca no perder de vista,
Seu pensamento disperso.
Tenta o encontro da água com o céu
E chega ao êxtase
Arrancado das entranhas deste horizonte perdido
E vem
          Docemente
De coração saciado,
Rezar a oração do amor.



AO MEU PAI


Lampeja vibrante
A chama indormida
Do cintilante clarão da vida

Segue...
Ilumina o caminhar
De conquistas passadas
E das que ainda vão ocorrer

...e é tão grande a sua luz,
Que não precisa de séquito.
Este é o seu rastro de brilho
A clarear o caminho
Na ida segura.
E a chama revolta
Ilumina a saudade
-grande e profunda
Que ainda arde
Com a separação.










ANJO DA GUARDA


Dormi muito!
Meu anjo cansou-se de velar por mim
-teve insônia

No balburdio da vida,
Com sede de afeto,
Me precipitei a realizar.

Pobre do meu anjo,
Teve que dormir um pouco!
Fiquei só.
Perdi-me no caminho.
Andei errante: -fugi demais.

Agora,
Tudo é frio
O peito gela
O coração treme solitário
E omisso.

Por que dormi
Se tinha tanto a completar?
E meu anjo, pobre coitado,
Não sei onde o encontrar.




HOJE OU NUNCA

Não perca tempo,
Pois estou a esperar.
Vem enquanto és flor
Com orvalho
Na manhã radiosa.

Vem,
Enquanto não murchas,
Pois como a flor,
O tempo fadiga
E mata
Não esquece
Que estas deixarão
De ter perfumes
E de ser belas.

E tu,
Hoje linda,
Perfumada e viva
E amanhã
Feia e morta.

Longo tempo
Te espero
Para que não sintas
Como a flor
A queda para a volta
À terra
Com renúncia
E humilhação.




NOITE SEM ESTRELAS

Despreocupado
em dia de meditação a vagar,
achei uma noite
tosca e sem estrelas
com malícia e ríspida.

Num dia sem sol,
Quando parava a natureza,
Descobri uma noite.
Dessas escuras,
E propícias para o medo
onde nossa oração é ouvida
Como eco.

Em um dia comum,
Achei uma noite.
-a minha,
Estranhamente bela
E misteriosa,
Onde a brisa vinha em forma de afago.

Em infinitos dias
Achei uma noite,
E nessa noite infinita
Achei um amor.


 DECLARAÇÃO

De todas as criaturas viventes
As fêmeas são mais astutas
E a mulher a mais buscada,
Procurada e fugidia.
Este sublime ser
Converge as luzes
e mantém o segredo da vida.
De tal forma é soberana
Que agasalha por nove meses
Um ser que quando livre
Chora a separação.

Assim, é a mulher a perfeição
Buscada no inatingível
Sopro do amor.


SIMPLESMENTE

Gosto de teu sorriso
Pelas coisas simples
Que ele tem

Igualmente aprecio o voo cósmico,
Porque acho que é simples;
Pois sobe, e leve,
Não deixa que a poeira
Venha a corrompe-lo
E tirar a sua pureza

A beleza e a simplicidade são irmãs
-no riso
-na carne,
-no espírito
-e na visão.

Assim,
gosto do teu sorriso
pelas coisas simples
que ele tem.


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Contatos com o Autor:

carlos_nilson@uol.com.br

Facebook:
https://www.facebook.com/carlosnilson.costa















20 de fev de 2016

SÉRIE NOVOS POETAS DO AMAPÁ 4 - LILIANE OLIVEIRA



Liliane Oliveira é natural de Macapá-AP, nascida no dia 23 de janeiro de 1991, começou a escrever poesias com 14 anos de idade. Atualmente é formada em Letras/Inglês pelo Instituto de Ensino Superior do Amapá (IESAP), especialista em Docência no Ensino Superior ( IESAP). É membro do grupo poético Pena e Pergaminho, e em seus poemas as temáticas abordados são: morte, tristeza e sofrimento. 

Seus poemas podem ser encontrados na página:



Prisão da Alma

Dela fugi, noites e dias
Dela fugi, mente fóbica
Dela me ocultei, no meio de lágrimas
Pelos caminhos dos labirintos
Trevas e temores
Mãos que seguiam, seguiam após mim.
Uma voz insistia: "Trata-se de uma busca incansável".
Salva-me, salva só a mim?

 
Jovens autores: Krollen Souza, Lorrana Maciel,
Tiago Quingosta e Liliane Oliveira

Dois mundos que gritam

Todos os dias
Eu sinto o mesmo...
Eu não estou preparada para o outro lado?
Eu não estou esperando por vida após a morte!
Um mundo é feito
Eu tenho chance de mudar o meu destino?
Uma escolha é feita
Tenho que esperar pela morte?
Talvez...


Chuva

São lágrimas a cair
Quando não se tem nada a esperar
Quando dá vontade de chorar...
Chuva que molha o meu rosto... Os primeiros pingos caem em forma de lágrimas, lavam as tristezas que guardo no coração, inundam meu coração de emoção, preenchem espaços em mim.


Poematizar

Quem gosta de poema é poeta?
E quem não é poeta, sabe poematizar?
Poematizar é fazer poema?
Poeta sabe amar?
Quem ama faz poema?
Poema quem faz é quem sabe amar?





   Apenas...

Não era apenas tristeza
Não era apenas sombra
Ela pensava que era luz
Mas...
Sobrou escuridão!

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Contato com Liliane: