15/05/2014

CRÔNICAS DO DR. PAULO REBELO

CARTA AO FILHO LONGÍNQUO


Meu filho,

Aguente firme a distância, a saudade, o frio, as noites de solidão...
Os teus desafios intermináveis e problemas não resolvidos só aumentam a tua e nossa dor. Esse é o destino.

Parece que adoecemos juntos, nos enfraquecem nossos sonhos conjuntos. Fraquejamos na fé. Isso é humano!
Nada podemos fazer a não ser pedir ao CRIADOR que Ele ilumine teus caminhos... Que Ele nos conforte.

Ao deixares a nossa casa, nós pais o permitimos e te incentivamos com o coração partido, cientes que fizemos por ti o nosso melhor, ainda que inseguros e repletos de dúvidas, de defeitos inconscientes, mas esperançosos!

É que um dia contestamos nossos pais, também; fomos irreverentes, ousados, sonhadores, aventureiros e irresponsáveis.
Assim como o foi para nós, sabíamos que esse derradeiro dia iria chegar e tu, nós, teus pais, seríamos postos à prova de fogo!
Aqui estaremos sempre esperando pelo dia em que tu voltarás para nossa casa, para nos demonstrar toda a glória de tuas grandes conquistas!
Diremos, então, para o mundo que um dia ousou nos desafiar:

VENCEMOS!
Teu pai, Paulo Rebelo 2014.

Dr. Paulo Rebelo (no centro da foto) com os seus familiares


A VIDA DO MÉDICO COMO ELA É

Aquele era mais um dia laboral como outro qualquer. Como de costume, na padaria, fazia ele o seu desjejum quando subitamente sentiu um forte golpe no peito, seguido de palpitações rápidas e incessantes. Logo veio a sensação terrivelmente angustiante de dispneia e mal-estar indizíveis. Quis ele fugir dali. Tossiu com força, prendeu a respiração, caminhou para lá e cá e nada! Percebeu que pouco a pouco piorava; náuseas, sudorese fria agora lhe acompanhavam; chamou-lhe atenção quando alguém disse esbaforidamente: - “Meu Deus! O senhor está pálido!” Não sabe dizer como chegara à UBS, pois sentia a morte à espreita. A enfermeira recém-formada não conseguiu medir sua pressão nem pulso. O médico julgou que fosse por falta de experiência, mas nem ele pôde fazê-lo! Ainda consciente o jovem paciente negou que tivesse ingerido bebida alcoólica, que usasse droga ilícita ou tomado qualquer medicamento. Não havia história de doença cardíaca na família. Dizia estar estressado e ansioso, mas nada que comprometesse o seu bem estar geral.
Por um breve instante o médico parou para pensar diante da gravidade do caso e que não estava na emergência de nenhum grande hospital. Parecia ele mesmo querer passar mal. E agora? Pensou ele: não havia medicamento adequado ali. Absorto nesse rodopiante pensamento, o rosto severo de Hipócrates lhe surgiu claramente na mente. Disse-lhe a imagem: - “Aplique-lhe um VALSALVA! VAL-SAL-VA!” O paciente já agora agonizava com a pressão arterial inaudível e frequência cardíaca mais rápida do que a de um beija-flor. Sua cor era cérea e sua pele fria e pegajosa. Estava em estado de choque, denunciando que a morte se aproximara. O médico falou alto para que o paciente deitasse na posição supina e que trouxesse as suas coxas fortemente abraçadas de encontro ao peito. Era a uma manobra vagal. Depois de poucos segundos, como tendo dado um reset no computador, nem o próprio médico acreditou quando o ritmo cardíaco voltara ao normal e PA, 12 por 8! Como num passe de mágica, parece que tudo havia sido completamente irreal.
O olhar de admiração e respeito de todos ali, o choro copioso do paciente, entrecortado de declaração espontânea e sincera de "muito obrigado, doutor!", dita várias vezes, demonstraram que não havia sido um pesadelo; havia um visível ar de alívio geral. Em silêncio, encheu-se o médico de um orgulho pessoal contido e solitário.
No caminho para atender outro paciente, mal tendo tempo para refletir sobre o acontecido, pensou:- “UFA! Graças a DEUS!” Pensou ele em HIPÓCRATES, quisera agradecer a VALSALVA, pensou naquele desconhecido que não gravara o seu nome e que este não pôde sequer perguntar o nome do médico que o havia salvado. Pensou nos pais, na sua profissão, na esposa e filhos, pensou em si mesmo, ele mesmo um desconhecido para muitos... Tudo girou. Por fim, recompondo suas forças, disse para si: - “Isso é obra do CRIADOR. Sou apenas LUCAS, o SEU servo. É mais uma MISSÃO CUMPRIDA apenas!”.
Parecia querer espichar para mais longe seu pensamento enquanto levitava, quando ouviu a enfermeira dizer candidamente, mas em tom firme: - “Doutor, a dona Florentina está com a pressão muito alta! Se apresse!”.

Seu cafezinho já esfriara. Mal havia sentado, respirou fundo, contou até três e pensou: “Mãos à obra!”.





UM TEMPO INESQUECÍVEL QUANDO O MÉDICO ERA O

PRÓPRIO REMÉDIO




Ainda sou do tempo em que a ida ao consultório médico era um acontecimento quase que mágico. Minha mãe dizia com muita convicção, que aquela visita há muito agendada era o nosso compromisso mais importante do dia, talvez da semana. Éramos acordados mais cedo do que o usual. Vestíamos nossas melhores roupas. Havia certa excitação no ar, certo “frisson”, ainda que estivéssemos com alguma doença. Sair de casa já era diferente. Um pouco antes do amanhecer, o almoço estava garantido, pois ela o deixava pronto. Depois de tomar o café da manhã, lá íamos todos de lotação. A viagem era agradável. Os menores passavam por debaixo da roleta. No caminho, ela já nos avisava para que nos portássemos muito bem, pois a demora em começar o atendimento seria invariavelmente certa. A agenda do médico era sempre cheia, mas valia a pena esperar.

Aquele era o médico de sua confiança. Segundo ela, ele era o melhor pediatra. Era o médico que eu gostava, também.
Ansiosamente aguardado por todos, ele chegava quase sempre atrasado. Era compreensível. Todos ali sabiam que ele era um homem muito ocupado. Vinha de outro hospital. De um modo geral, não havia queixas maiores; no máximo um comentário aqui e acolá que o médico estava demorando. Curiosamente, lá parecia ser também, um ponto de encontro de velhos conhecidos. Aproveitava-se aquele raro momento para conversas parecendo intermináveis, às vezes, alarmistas sobre alguma doença “misteriosa”. Faziam-se comentários sobre as manchetes de jornais e notícias do rádio ou ainda sobre das vivências e experiências pessoais e familiares cotidianas, mas, sobretudo sobre o quanto aquele médico era atencioso e dedicado à sua profissão.
Ao passar sorrindo pela sala de espera rumo ao seu consultório, cumprimentava a todos com um efusivo “bom dia!”, claramente reconhecendo uma ou outra criança, chamando-a pelo nome.
Gostava muito de toda aquela atmosfera, ainda que às vezes, alguém dissesse sussurrando: “te aquieta menino senão o doutor vai te dar uma injeção!” (pensava mesmo eu que fosse comigo), algo que ele mesmo nunca o fez. O choro que se ouvia era daquelas crianças incomodadas pela própria doença. Muito são reminiscências. Guardo, entretanto vivo na memória, aquele ar de hospital, e enquanto ele prescrevia a receita com sua clássica e quase indecifrável caligrafia, ano após ano, quase sempre ele perguntava-me o que eu queria ser quando crescesse. (creio que, no íntimo, eu já tivesse uma pálida ideia).
Dizia: “abra a boca”... ”Assim... AAH... muito bem!”... “Respire fundo... de novo... huum”...
”Diga trinta e três”... “Agora, tussa!” Como aquilo tudo era diferente!
Terminado o exame, passando a mão na minha cabeça, ao dizer para minha mãe com firme convicção “ele vai ficar bom!”, é estranho, mas sinto como se fosse ainda hoje, que ao sairmos de seu consultório, eu já estava com uma fortíssima e reconfortante sensação de estar curado ou com os meus sintomas completamente aliviados sem sequer ter tomado um único medicamento seu!

* * * *
EU A VI!

Às vezes, já completamente absorto em seus pensamentos, num estado quase onírico, ele se perguntava a todo instante se aquele belo ser que acreditava ter visto outro dia poderia ser, de fato, real ou fruto de mais um de seus loucos sonhos; de qual estrela teria ela caído? Ou seria ela a própria estrela?
Certa noite fria, arrebatado por aquela visão que o atormentava, imaginou ser ele um dos Reis Magos e que, realmente, vira uma linda estrela cadente no firmamento. Guiado por forte emoção, pôs-se a caminhar apressadamente ao seu encontro, na longa e escura noite adentro.
Imaginou estar com ela, mas... dizer-lhe exatamente o quê? Que ele estaria por ela encantado? Que gostaria que dele fosse ela sua propriedade eterna? E se não tivesse a coragem de dizê-lo, o seu olhar seria capaz o suficiente de transmitir-lhe a intensidade e forma de tudo o que sentia por ela? Ela o entenderia? Queria tocá-la com suas próprias mãos, acariciar densa e suavemente seu rosto por um breve momento apenas, somente para materializá-la dentro de si para sempre. Ela o rejeitaria? Enfim, o que fazer se ela nem sequer o conhecia?! Por um instante, ficou aflito e inseguro. Confuso, perdeu a voz. Seus olhos marejaram.
Acordou transpirando frio, mas o corpo ardia como brasa. Com o coração palpitando a mil, faltou-lhe o ar, fugiu-lhe a luz. Imaginou ter chegado o seu fim. Não! Era mais um daqueles sonhos, enfim. Aliviado, sob pálidos traços de lucidez, vagamente sorrindo para si mesmo, se deu conta de que uma imagem tão real ou imaginária, daquela mulher tão bela, não era para ser posse sua jamais, mas para ser contemplada e sentida infinitamente, como quem respira o ar para continuar vivo, pois ela não só pertencia à beleza radiante do mundo como ela mesma era a própria, o ponto alto de sua criação; o mundo se expressara e se completava através daquele ser tão lindo e puro... Assim, amá-la-ia dessa forma, resignou-se ele, pois se a aprisionasse em seu coração, na sua mente, como incontáveis vezes assim o desejou ardentemente para toda a eternidade, pensou ele, ela perderia o viço; o mundo, cor e graça.
Ele, também, por fim, definharia.
Então, compreendendo a grandeza e a razão da existência daquela bela criatura, indelevelmente marcado por ela, ambos finalmente livres e ele, agora em paz, tomado por um imenso e transbordante contentamento daquele tipo impossível de ser humanamente contido, disse bem alto e confiante para si e para todo o universo ouvir- “Acreditem todos, eu a vi e a amei! Não foi um sonho!”. 

Paulo Roberto Campbell Rebelo 
é médico cardiologista




07/03/2014

JOVEM ESTREIA NA LITERATURA COM UM ROMANCE DE SUSPENSE

Um romance cheio de mistério ambientado em Macapá é o enredo do livro A Anfitriã, do amapaense Elielson Júnior, 18 anos. O livro é o primeiro do autor e de uma série de suspense que promete instigar a curiosidade dos leitores para desvendar os mistérios que rondam os personagens da história.



Elielson, que é estudante do curso de direito, sempre foi fã da leitura de ficção e desde criança despertou o gosto pela escrita. “Aos sete anos quando li pela primeira vez o livro Harry Potter, fiquei encantado com a história e comecei a escrever pequenas histórias também, e foi na adolescência que descobrir que era isso mesmo que eu queria para mim”, conta o jovem.


O livro que começou a ser escrito em 2010, e levou dois anos para ser concluído, mas a história foi sendo publicada em partes no site do livro http://aanfitria.weebly.com. Uma maneira de interagir com os seus leitores. “Postavam em um site próprio para se postar história, e ver qual seria a resposta dos leitores, e sempre foi uma resposta bastante positiva”, destaca Elielson.



O lançamento oficial do livro acontece no dia 15 de março no Shopping Macapá, às 19h. O livro será vendido no local ao preço de R$ 40,00.

Texto: Tiago Soeiro - Blog da FLAP
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Contatos com o autor:
(96) 8106 0318 e 9132 8049

17/11/2013

AVENTURAS NO TEMPO EM TERRA TUCUJU

Apresentamos ao leitor deste blog o primeiro livro de Ester Carvalho, socióloga amapaense, que estreia com uma ficção que tem como cenário o território amapaense.


"O romance “As aventuras do professor Pierre na terra tucuju”, de Maria Ester Pena Carvalho, mostra que se há uma característica marcante na história e na cultura amapaense, essa é a afetividade, e, por meio dela, aborda a formação dessa cultura sob a perspectiva de um francês que escolheu morar aqui, e que ao longo do romance vai descobrindo o porquê dessa escolha no “jeito do povo daqui”.
A autora é uma socióloga amapaense, funcionária pública estadual, que, do jardim de infância à universidade, estudou na escola pública. Filha do professor David Miranda dos Santos, ela recebeu de seus pais incentivo para ler e ouvir histórias amapaenses, e disso resultou a criação de seu romance histórico, e o personagem central da obra o aventureiro professor Jean Pierre, e que representam, na realidade, a permanente luta do homem comum por uma humanidade melhor.
O personagem tem muito dos sonhos da autora, como também das vivências de seu avô, Teodomiro Pena, contador de muitas histórias, resultantes dos seus bem vividos 98 anos, mas tem muito mais de nós, professores, que construímos nossa felicidade estudando, pesquisando, investigando e partilhando o que sabemos com os outros, em um processo permanente de retroalimentação do saber.
Talvez por isso este romance proporcione uma leitura tão agradável e uma história cheia de esperança."
(João Wilson Savino Carvalho, escritor e professor)


Resumo da obra:
O romance trata da formação da cultura amapaense sob a perspectiva de um francês que escolheu morar em Macapá dos anos 1970, e que ao longo da narrativa vai descobrindo o porquê dessa escolha “no jeito do povo daqui”.
​ O personagem principal é um solitário professor de francês, que tem a sua razão de viver na pesquisa sobre o eletromagnetismo relacionado com os fenômenos do tempo e que vive intensamente os seus valores morais em permanente conflito com sua curiosidade científica, mas nada tem de super-herói, muito pelo contrário: ele é um homem comum de sua época, que, por conta de sua descoberta, tem o privilégio de vivenciar várias épocas.
​ Talvez por isso seja tão fácil apaixonar-se por esse personagem, o francês mais amapaense que já passeou pelo tempo, pela geografia, pela história e pela cultura de nossa terra, sempre tentando melhorar o mundo, sofrendo alegrias e decepções, mas sempre aprendendo muito com cada aventura vivida.

O livro traz uma crítica sutil à época relatada, mas também um registro, porque recheado de fatos, de lugares, de modos de pensar e de traços culturais verdadeiros (música, pintura, artesanato...), apresentados como responsáveis pelo modo de ser do amapaense, buscando-se nele abordagem bastante agradável e de fácil leitura.
Maria Ester Pena Carvalho

Para a autora:
"O amapaense é um povo que pode orgulhar-se de ter uma cultura própria e uma história fantástica, embora pouco contada. Na verdade, é possível notar entre os estudantes até certo afastamento das coisas de nossa terra, com toda a alienação que disso resulta.
            A literatura tem um papel de suma importância na compreensão do contexto histórico-cultural de uma sociedade. De fato, nenhuma tese acadêmica ou livro didático é assim tão eficaz para incentivar as crianças e os jovens na busca por um conhecimento mínimo da história, da geografia, da política e da cultura regional.
O que acontece é que ninguém ensina história, geografia ou política com tanta leveza como o autor de um romance histórico, seja real ou fictício, pois nele se consegue passar ao leitor a vivência de todo um contexto de interesse histórico.
Os romances com histórias pautadas no realismo (fantástico ou não) divertem as pessoas de qualquer idade, mas principalmente, inspiram jovens e crianças pela leitura descompromissada, já que trazem histórias que poderiam ser vividas por qualquer um de nós, onde o fantástico da história é apenas o mote da criação.
            Por isso a presente obra foi pensada como um constante trânsito entre três gêneros literários narrativos: ficção, realismo fantástico e romance histórico; porém, sem se prender realmente em nenhum deles, mas narrando e refletindo sobre dados históricos do Estado do Amapá, em meio a uma trama que aponta fotos e fatos geográficos e culturais, destacando obras artísticas e causos políticos de cada época, todos engendrados por uma narrativa imaginária. O romance “As Aventuras do Professor Pierre na Terra Tucuju” é uma tentativa de alcançar este objetivo, misturando um pouco de romance histórico com uma perspectiva sociológica da realidade, trazendo fragmentos da história e da cultura dessa terra, focado por um viés de realismo fantástico moderado, com uma pequena contribuição de alguns trabalhos acadêmicos que abordam acontecimentos fundamentais para o destino da região, fazendo assim conexão entre episódios da vida real com a história desenvolvida na obra literária, por meio de uma constante conversa entre o real e o imaginário.
Mas é, acima de tudo, um romance que busca provocar a reflexão sobre alguns dos aconteceres que estão nas raízes da formação do Amapá, e suas consequências diretas para a vida dos amapaenses de hoje.
A autora no dia do lançamento com familiares
            Evidentemente, os personagens são fictícios, e qualquer semelhança com personagens que por ventura (ou desventura) tenham vivenciado aventuras similares, será mera coincidência.
            Por fim, a inspiração para esta obra está na antiga literatura hebraica, na história de Abimaleque, salvo da destruição de Jerusalém viajando no tempo por obra divina, pela gratidão do Profeta Jeremias, que pede a Deus por ele; no que teria acontecido com o famoso navio americano do “Projeto Filadélfia”, em que não apenas o navio, mas também os tripulantes passaram a desaparecer e reaparecer; e por fim, no conto japonês de 2.000 anos de idade, denominado “Urashima”, um dos mais antigos a abordar o sonho permanente da viagem no tempo".  
A AUTORA.
Nota do editor:
Fotos e textos fornecidos pela autora 


Contatos com a autora:
(96 )3222 0707

O livro está à venda nas bancas e livrarias de Macapá e também pode ser adquirido com a autora

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Os Caminhos da Literatura do Amapá – Comunicação

Comunicação proferida por Maria Ester Pena Carvalho, socióloga, escritora amapaense - em 31 de julho de 2014 -14h30, Café Literário – Clube de Autores, Circuito Off Flip das Letras(RJ)/Abeporá das Palavras (AP), 12º Festa Internacional do Livro de Paraty (FLIP) – 30 de julho a 3 de agosto de 2014, em Paraty/RJ. Bate-papo sobre os caminhos da literatura amapaense, com Carla Nobre, lançamento de livros, sessão de autógrafos e sarau literário.

Maria Ester na Off-Flip em Paraty ao lado do escritor Ovídio Poli


Introdução: 
O fundamento desta Comunicação é uma pesquisa sobre os caminhos e percalços da literatura amapaense, vivenciado por esta autora, em função da participação no Edital de Literatura “Simãozinho Sonhador” e a edição do romance “As aventuras do professor Pierre na terra tucuju”.
Inicio esta fala afirmando que realizei um sonho de infância com a publicação desse romance, a de ser uma escritora de romances regionais, coisa que eu via como improvável no Amapá, pelos inúmeros desafios envolvidos na concretização desse sonho, como o difícil acesso à produção literária local e ao mercado consumidor de literatura, muito restrito no Amapá, mas, principalmente, porque queria escrever romances nos quais o enredo partisse dos causos, das memórias e das histórias do estado do Amapá, onde tudo se passasse no nosso estado e com figuras e personagens amapaenses.
Foi exatamente nesse ponto que senti falta de contato com autores e obras amapaenses, com livros que descrevessem a nossa realidade. Essas dificuldades são encontradas por ser o Amapá lugar distante, em relação aos grandes centros da produção literária no Brasil. Ou seja, da primeira dificuldade, a geográfica, vem as relativas à construção material do livro ( revisão/editoração) no estado, além da falta de espaço para troca de ideias, experiências  com autores do Amapá e de outros estados da Federação, entre outras, comuns a todo a Amazônia.
Em função disso, por ter sido incentivada por um Edital de Literatura, posso dizer que sou fruto de uma política pública de valorização da literatura no estado do Amapá, resultante da Feira do Livro do Amapá (FLAP),  que vem dinamizando o mercado editorial no Amapá.
Fiquei realmente muito feliz quando saiu o resultado e constatei que estava selecionada entre os contemplados, com meu nome relacionado junto com escritores de destaque no cenário literário amapaense, pessoas que eu já conhecia pelos seus trabalhos publicados, como  Joseli Dias, Manoel do Vale, Herbert Valente, Ivan Carlo, Sergio Salles,  Ângela Nunes, além daqueles que não tinham publicação significativa mas que tinham trânsito nos grupos de poesia de Macapá. Isso significa que essa política de estado deu espaço para se conhecer gente nova e engajada na luta por uma literatura mais acessível ao povo amapaense, como os jovens Tiago Quingosta, Rodrigo Odisseu, Samila Lages, Claudia Almeida, Inácio Sena.
Para iniciar o traçado dos caminhos da literatura amapaense, se faz necessário lembrar de alguns autores que deram a essa literatura uma feição própria, como Alcy Araujo, Arthur Nery Marinho , Manoel Bispo, Aracy de Mont’alverne,  Obdias Araujo, Alcinea Cavalcante,  Paulo de Tarso, Isnad Lima, Herbert Emanuel, entre outros nomes fortes da literatura amapaense e que a produção literária no Amapá, sempre existiu, mas o acesso as obras desses autores nunca foi fácil.  Um exemplo fácil disso é o meu caso. Nas escolas em que estudei (escolas públicas) não tive nenhum experiência com a literatura regional, o que me deixou muito preocupada com os rumos da literatura e educação no Amapá por conta disso. Eu, felizmente, tinha essa curiosidade de conhecer de saber como se dava a criação literária desses escritores reconhecidos no Amapá, mas que eu tinha tido a oportunidade de conhecê-los apenas de nome. Sabia principalmente daqueles que faziam poesia, porque o forte da literatura amapaense sempre foi a poesia. A prosa também era feita, mas em menor escala, só recentemente vêm recebendo mais atenção no Amapá.
Pessoalmente, me interessei pela prosa em função de leituras que me influenciaram e até hoje me inspiram, como, por exemplo, Jô Soares, com seu estilo de descrever os lugares do Rio de Janeiro, em uma determinada época, que nos dá a ideia de que estamos vendo aquele local, respirando o ambiente, a cultura de um lugar ou de uma época.
Entre os autores amapaenses de grande influência para mim, cito a professora Aracy de Mont’alverne, autora de um poema chamado “Festival de bem-te-vis”, um dos meus preferidos e dos primeiros que me atrevi a declamar.
De forma geral, na literatura do Amapá, os escritores que mais me influenciaram foram o Fernando Canto, talvez pela formação em Sociologia, como eu, e a Alcinea Cavalcante, que produz poemas com os quais me identifico, além, é claro, de sua produção literária voltada para a questão política e social. Estes serão, sempre, nomes de peso e de referência, em nossa literatura.  Fernando Canto é filho de uma professora e foi pelos livros de sua mãe que ele iniciou sua paixão pela leitura e literatura, inspirado pela obra de Cervantes, “Dom Pixote de La Mancha”, uma de suas primeiras leituras, deu vazão ao seu amor pela literatura escrevendo letras de músicas, poesias e contos que foram primeiramente publicados no jornal “O liberal” em Belém do Pará na década de 70, mas somente a na década de 80 esse autor teve sua primeira publicação, já na época em que concluiu seu curso superior e voltou para Macapá, tendo suas crônicas e contos publicados em vários jornais local do nosso estado, na época ainda que aqui era Território Federal.  Em 1973 ainda foi vencedor de um prêmio de festival da canção, em Minas Gerais, com a música do Grupo Pilão “Quando o Pau Quebrar”. Dessa música faço um comentário em meu livro, uma homenagem a esse compositor e escritor no contexto do romance “As aventuras do professor Pierre na terra Tucuju”, na página 71.
Na poesia um pouco mais recente, destaco os nomes de Carla Nobre, Pedro Stocks, Thiago Quingosta, Lara Utizg, Tiago Soeiro, Annie Carvalho, Andrezza Gil, Aline Monteiro entre outros que são poetas mais novos, mas que apresentam alta sensibilidade e qualidade poética.
Na prosa, em especial nas crônicas e nos contos, temos Paulo de Tarso, com obras bem conhecidas dos amapaenses, como "O Benzedor de Espingarda", "Os silêncios da Eternidade". É um autor presente em várias antologias e que trabalha tanto a poesia como a prosa. No mesmo sentido Cezar Bernardo, Luli Rojanski, Wilson Carvalho, Mauro Guilherme, Osvaldo Simões, Manoel do Vale, são alguns dos nomes de destaque da literatura do Amapá que continuam produzindo, buscando ampliar os horizontes da literatura amapaense.
Enfim, o Amapá tem hoje diversos grupos literários, que vem mudando o panorama da literatura em nossa terra, atraindo os jovens para a literatura, como o Grupo Poesia Boca da Noite, Pena & Pergaminho, Poetas Azuis, entre outros, e isso é muito bacana, pois vislumbro um portão de entrada para novos nomes da literatura. Por isso eu apoio e participo desses grupos, compartilhando nossas experiências, poesias e comentários, em nossos eventos regularmente analisamos obras de autores amapaenses, em um trabalho do qual muito me orgulha fazer parte.
Hoje a literatura amapaense esta dando um salto, principalmente depois da FLAP, as pessoas já olham os poetas e escritores locais de uma outra forma, estão tomando consciência do valor do livro, da leitura e da literatura, tão importante para construção de cidadania de um povo. Isto é um ponto positivo pra a identidade amapaense.
Atualmente, temos uma leva de jovens escritores publicando na prosa e na poesia, jovens que levantam a bandeira da afirmação que poetas, escritores e amantes da leitura e da literatura precisamos ser unidos, trabalhar em conjunto para construção de mundo melhor a partir da literatura.
Mas, principalmente, as pessoas no Amapá estão tomando consciência que nós, do povo amapaense, é que devemos contar as nossas histórias, as histórias dos amapaenses, da cultura, identidade e jeito do povo do Amapá, o jeito tucuju, tudo isso, com o nosso olhar e na nossa perspectiva. As pessoas estão tomando consciência que precisamos reconstruir as nossas histórias, com heróis, mitos e lendas do Amapá e dos amapaenses, e tudo isso num trabalho em conjunto com a educação. Essa é a minha bandeira: o resgate de memórias e histórias amapaenses como mote de nossas criações literárias.

Finalizo minha fala pedindo licença para declamar “Prazer, sou Maria” de Alcinéa Cavalcante, poetisa e jornalista amapaense que será homenageada no meu próximo livro "As aventuras do professor Pierre II - novas aventuras"

07/10/2013

PROFESSOR MÁRIO QUIRINO HOMENAGEADO COM LIVRO BIOGRÁFICO E DVD FEITOS PELA FAMÍLIA

A obra “Mário Quirino da Silva – Biografia” foi lançada oficialmente hoje, 7 de outubro de 2013 na quadra da escola estadual que recebe o nome do biografado. O livro - acompanhado com um DVD com fotos e documentos -escrito e organizado pelos filhos Délrio Façanha da Silva, Sérgio e Márcio que deixam esse legado ao Amapá relatando a vida do eminente professor. Com a presença de familiares, ex-alunos, contemporâneos, da Secretária de Estado da Educação Elda Gomes Araújo e do professor Antônio Munhoz, professores e alunos da escola, o evento tem expressiva significação pois visa dar conhecimento às novas gerações sobre um dos notáveis professores que contribuíram para a Educação no Amapá. E o professor Mário foi um desses pioneiros que se envolveu em várias atividades, tanto educacionais como desportivas e políticas. 



Capa e contracapa do livro




Sumário e Prefácio do livro

Orelhas do livro



O professor Mário Quirino  da Silva Nasceu em Belém-PA, no dia 2 de junho de 1925 e faleceu em São Paulo em 1° de setembro de 1985 em decorrência de um câncer. Em 19 de novembro de 1985 o governador do Território Federal do Amapá, Jorge Nova da Costa, criou a Escola Mário Quirino da Silva, que fica localizada na Rua Claudomiro de Moraes, bairro Novo Buritizal, em Macapá - AP . 
(Texto: Paulo Tarso Barros)



ALGUMAS DAS FOTOS QUE ESTÃO NO DVD QUE ACOMPANHA O LIVRO




FOTOS DO LANÇAMENTO DA OBRA



Fotos: Alessandro Cardoso

Mais informações e fotos sobre Mário Quirino:
http://porta-retrato-ap.blogspot.com.br/search?q=M%C3%A1rio+Quirino


CONTATOS COM OS AUTORES DA OBRA:

Márcio José Façanha da Silva
R. Dona Avelina, 77 - Ap 133
Vila Mariana
04111-010 - São Paulo - SP

E-mail: mfacanha@cardiol.br