13/11/2014

ESMERALDINA DOS SANTOS LANÇA LIVROS DURANTE SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

A escritora amapaense Esmeraldina dos Santos lançará no dia 29 de novembro, às 20 horas, no Centro Cultural Raízes do Bolão (Maloca da Tia Chiquinha), na Rodovia do Curiaú - AP 70 suas duas obras literárias:  "O melhor caminho é a escola" e "Relato de viagem".

O evento contará com a presença de cantores e bandas regionais como, Banda Placa, Banda Afro Brasil, Grupo Raízes do Bolão, Grupo Marabaixo do Laguinho, Amadeu Cavalcante, Oneide Bastos, Patrícia Bastos, Brenda Melo, Joãozinho Gomes, Enrico di Micelli, Rosane Rodrigues, Paulo Bastos, Zé Miguel, Val Milhomen e Maria Eli.

O ingresso custará o preço de R$ 8,00

Esmeraldina é dançadeira de marabaixo do Grupo Raízes do Bolão e Moradora do Curiáu. Foi a patrona da I Feira do Livro do Amapá.


(Texto: Cláudio Rogério)
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VIDA E OBRA DA PATRONA DA 1ª FEIRA DE LIVROS DO AMAPÁ

Texto da Agência do Amapá – Governo do Estado do Amapá

Esmeraldina dos Santos, 58 anos, nasceu no bairro do Laguinho, mas desde
pequena mora na Área de Preservação Ambiental (APA) do Curiaú. Ela é filha
de Francisca Ramos dos Santos, tia Chiquinha, e de Maximiano Machado dos
Santos, mestre Bolão. Negra de muitos talentos, Esmeraldina assim se define:
"nasci no Laguinho e por isso reflito tudo que ele é, sou poeta, escritora, artesã,
sambista e artista, gosto de tudo da nossa cultura".


Foi na Escola Paulo Freire que teve o primeiro contato com a literatura, mas o
despertar para a escrita surgiu num momento muito triste de sua vida: na
doença de seu pai. Entre uma conversa e outra, nos últimos dias de vida do
patriarca, Esmeraldina escrevia os relatos da vida do mestre Bolão. Daí surgiu
as memórias do seu primeiro livro “História do meu Povo”, lançado em 2002.
Para ajudar na renda familiar, Esmeraldina parou de estudar e foi trabalhar em
casa de família, como lavadeira, costureira, artesã com crochê, confeccionando
flores, bordados em pano. "Mas sou mãe, mulher, pai, irmã, tia, avó, para
ajudar minhas filhas e me ajudar também, tudo isso porque sempre quis ter o
que era meu. Arrependo-me apenas de ter parado de estudar", afirma.
Ela parou de estudar aos 16 anos e retornou à sala de aula já adulta, na turma
de Educação para Jovens e Adultos, na Escola Estadual Maria do Carmo, no
bairro Jardim I, onde completou o ensino fundamental. Os estudos eram no
turno da noite, enfrentando atraso dos ônibus, assaltos na Rodovia do Curiaú.
"Chegando perto de casa o coração se abria", conta com ar de superação.
Foi então que pediu ao diretor para ser transferida para o turno da tarde. Os
estudos continuaram na Escola Paulo Freire, onde surgiu a inspiração para
escrever o livro 'As aventuras de Dona Florinha'. "Voltei a estudar para ter
conhecimento e orgulho de mim mesma e também para os meus netos terem
orgulho para mim... só através da educação você vê o mundo lá fora, e como a
presidente Dilma falou, a Educação abre a porta para o mundo, e através da
educação que a gente é alguma coisa na vida, assim me dedico mesmo nas
letras e na escrita", ressalta orgulhosa.
Foi uma vida de muito sacrifício, mas, principalmente, de muita superação. E
neste ano de 2012, cursando o 3º ano do ensino médio, Esmeraldina está
pronta para outro desafio: ingressar na Universidade



Obras:
1) HISTÓRIA DE MEU POVO: Baseado nas histórias que seu pai lhe contava, houve o lançamento, e se encontra atualmente, em andamento para uma 2ª edição com contribuições de outras pessoas, principalmente as pessoas mais velhas do seu povo. 

2) AS AVENTURAS DE DONA FLORZINHA: Este baseia-se em um fato real do cotidiano, onde os macacos atacavam as galinhas, que eram criações domésticas de sua mãe. Este livro teve a finalidade de apresentar a comunidade estudantil, principalmente as séries iniciais de como se escreve um "ladrão de marabaixo" (assim chamados os trechos das músicas desta dança, típica dos afrodescendentes).
3) UMA QUILOMBOLA NA POLÍTICA: resultou de sua experiência na política partidária, não publicado, mas pronto.

4) OS PENSAMENTOS DE ESMERALDINA: se encontra em fase de conclusão, mas algumas de suas frases a própria autora pinta ou borda em camisas que faz para adquirir mais recursos para seus subsídios, e até mesmo promover a editoração de suas obras. Não publicado, mas pronto.

5) E um livro Infantil, que esta em andamento, que conta a história que apareceu na Vila, este retorna a finalidade de apresentar a comunidade infantil como se faz os ladrões de marabaixo.
Perspectivas futuras Formar-se em Licenciatura em História, para ensinar e divulgar a cultura do
marabaixo e do batuque.
Projetos que desenvolve
Projeto Aldeia do Sesc – oficinas de dança do marabaixo;
Grupo Raízes do Balão – nascido no Laguinho, em homenagem ao seu pai,
que recebeu este nome pela sua madrinha Durica.
Artesanato: confecciona bolsas e pinta blusas com seus pensamentos sobre a
vida, a Macapá, sua gente, sua cultura.
Esmeraldina dos Santos é cultura viva deste imenso Amapá.

Contatos com a autora: (96) 99133 2612
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Fontes desta matéria:
Fotos da autora e capas de livros: Acervo de Paulo Tarso Barros
Cláudio Rogério- www.jeitotucuju.blogspont.com.br – 13/11/2014


02/11/2014

8 FATOS ESTRANHOS NA VIDA DE GRANDES ESCRITORES

Muitos podem considerar certas manias como loucura, outros não se importam, mas o que impera é a dúvida: o hábito ajudou os escritores ou a escrita influenciou seus hábitos?
Fernando Pessoa

Para ilustrar a questão vamos iniciar com Fernando Pessoa, poeta português que viveu alguns anos de sua vida na África do Sul. Era um grande apreciador de horóscopos, e quando Cecilia Meireles marcou um encontro com o poeta enquanto esteve em Portugal, levou um chá de cadeira: passou horas aguardando-o e, decepcionada pela ausência, foi embora. Chegando a seu hotel, recebeu um livro com uma explicação: seu horóscopo informou que aquela manhã não era um bom dia para encontros.

Victor Hugo por sua vez, só escrevia em pé. Por vezes passava quatorze horas seguidas trabalhando e foi justamente assim que produziu sua obra Os Miseráveis.
Victor Hugo

Já o inglês Lord Byron, um dos maiores poetas europeus e personalidade que mais influenciou no romantismo, tinha gansos como animais de estimação. Eles o acompanham, inclusive, a ida em eventos sociais. Byron tinha também outros fatos e rituais que marcaram sua vida, além de dúvidas até hoje impostas, como o fato de que tinha uma perna torta, mas ninguém sabia qual era e quem dizia saber nunca entrava em um consenso.
Lord Byron
Honoré de Balzac amava café. Ingeria cerca de 50 xícaras por dia, e quando não conseguia tomar, ele mesmo moía os grãos e o comia puro.  
Honoré Balzac

Edgar Allan Poe, enquanto esteve em um internato na Inglaterra, que ficava ao lado de um cemitério, teve aulas de matemática ao lado dos túmulos onde ele e os demais alunos calculavam a idade dos mortos pela data marcada nas lápides. Para os exercícios físicos os alunos abriam as covas onde os mortos da cidade seriam enterrados.
Edgar Allan Poe


Entre as irmãs Brontë, Emily era a mais excêntrica. A romancista passava horas parada, olhando para a janela, ficava silenciosa contemplando o mundo. Certa vez sua irmã Charlotte a apanhou olhando para a janela e descobriu, horas depois, que as venezianas estavam fechadas, Emily ficou seis horas parada observando as venezianas da janela.
Irmãs Brontë
Franz Kafka tinha um complexo enorme sobre seu corpo. Foi adepto de diversas dietas e inclusive por questões de saúde era vegetariano. Na época em que viveu, o nudismo estava em voga e assim como seus demais contemporâneos Kafka frequentava SPA, mas diferente dos demais se recusou a retirar as calças e ficou conhecido como “o homem com calção de banho”.
Franz Kafka

Pablo Neruda só escrevia com tinta verde. Inclusive certa vez escrevia um poema quanto à tinta se tornou escassa. Quando o estoque voltou ao normal já era tarde, perdeu a inspiração e seu poema ficou inacabado.
Pablo Neruda
Até quanto os hábitos desses e tantos escritores os influenciaram a se tornarem o que são hoje? E você, tem algum hábito que o influencia ou alguma influência que derivou novos hábitos?

Fontes
1 – A vida secreta dos grandes autores. Robert Schnakenberg. Ediouro
2 – Manias e métodos de trabalho de 10 grandes escritores. Revista Bula, por Euler de França Belém (clique aqui)
3 – Costumes e manias dos escritores famosos. Folha de S. Paulo (clique aqui)
4 – As manias mais curiosas dos escritores. Saraiva Conteúdo, por André Bernardo. (clique aqui)
5 – A mania dos escritores. Falando de Literatura, por Fernanda Jimenez. (clique aqui)

14/10/2014

O MITO DA JUVENTUDE NA LITERATURA

Opinião

Escritor: jovem, bonito, simpático...


 

O autor jovem está em alta. Quem observou foi a minha colega de Digestivo Eugenia Zerbini em sua última coluna. Ela esteve na última Flip e se surpreendeu com a ênfase dada, na apresentação de alguns escritores, à sua qualidade de "jovem". Era "jovem escritor" pra cá, "jovem escritora" pra lá.

O mito da juventude, tão explorado pelo marketing e pela moda, seria o novo filão do mercado editorial, concluiu ela, espantada quando soube de uma agente literária especializada na faixa etária mais baixa. "Mas você já tem 30 anos!", imaginei a tal agente argumentando a um candidato a fazer parte de seu "cast". E o coitado se arrependeria de ter preferido ler alguns clássicos antes de começar a escrever o primeiro romance. A escrita, como se sabe, parte sempre da leitura. Mesmo se considerarmos a vertente que defende uma boa biblioteca como mais relevante do que uma experiência de vida alentada (numa espécie de disputa entre a literatura erudita de Borges e a aventureira de Hemingway), algum tempo físico se faz necessário ao jovem para tornar-se de fato um escritor.

Em determinados ofícios, ao contrário, a pouca idade é imprescindível. Em geral, são aqueles relacionados à aparência ou desenvoltura física, como no caso dos atletas e modelos. Sempre achei muito triste a carreira curta dessas pessoas, consideradas "velhas" com vinte e poucos anos. Se não despontaram ainda adolescentes, logo são abandonadas por treinadores, tutores e empresários, todos de olho em "novas promessas" - em geral crianças treinadas por seus pais desde cedo para serem tenistas de ponta, virtuosos da música clássica, primeiras bailarinas. Ou ainda novas Giseles, tão logo revelem corpos esguios e rostos exóticos.

Quando ouço na TV um comentarista vaticinando, com naturalidade, que aquela será a última Olimpíada ou Copa do Mundo de determinado atleta, imagino o pânico de viver tal contagem regressiva tão cedo. Como se fosse uma primeira morte, antes daquela que será precedida pela velhice real.

Agora, faria sentido um autor ser considerado "velho" porque "já" tem 40 ou 50 anos? Porque não é mais uma promessa mercadológica? Mesmo sem sentir-se descartado, se apostar em suas qualidades literárias, ele deve perceber que a juventude tornou-se um atributo hoje desejável ao qual não tem mais condições de corresponder.

Como a escrita não exige esforço ou desenvoltura física, duas hipóteses justificariam o interesse maior por um jovem escritor do que por outro que não pode ser apresentado desta forma. A primeira é a de que a aparência física, em tempos de feiras literárias, palestras e muita exposição pública, precise atender aos parâmetros de beleza e juventude vigentes no mundo das celebridades. O escritor seria mais um artista a sofrer com este tipo de exigência estética, como já acontece com atores ou cantores.

A segunda hipótese é a de que a literatura produzida pelo jovem tenha um frescor ou uma contemporaneidade que a destaquem da mesmice do mercado, ou da tradição que precisa urgentemente ser renovada. Neste último caso, de qualquer forma, ou acredita-se numa espécie de genialidade inexplicável, evocando-se os grandes autores que escreveram cedo grandes livros, ou imagina-se que a "novidade do novo" será suficiente, e compensará alguma ingenuidade e falta de maturidade (conhecimentos, vivências, leituras) inevitável em um escritor de pouca idade.

A ironia é que a confirmação do talento de autores festejados pelo atributo da juventude virá somente com o tempo. Ou, quem sabe, acharemos natural "consumir" autores jovens para descartá-los depois do segundo ou terceiro livro, em nossa busca por respostas do mundo contemporâneo aos dilemas da arte, e especialmente da literatura.

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Longe do universo da cultura ou dos esportes, a valorização excessiva da juventude parece afetar hoje uma penca de profissões. Com exceção de poucas e sólidas carreiras, como a medicina ou a advocacia, em várias áreas as qualidades relacionadas à experiência são desprezadas, enquanto aumentam de status aquela evocadas pela condição de jovem dos novos profissionais.

Em coluna recente, a jornalista Cora Rónai fez um mea culpa por ter caído na armadilha, depois de receber o puxão de um leitor. Ela havia se referido, em texto anterior, a "duas arquitetas jovens, simpáticas e competentes". Marcos Josuá, arquiteto de 63 anos, deu uma bronca exemplar, reproduzida pela colunista:

"Sempre me parece que ser jovem é um atributo a mais para a profissão, quando deveria ser ao contrário, pois quanto mais velho, mais sábio e experiente se é. Além disso, todo arquiteto é obrigado a ser 'jovem', mesmo que tenha 90 anos, pois tem que estar antenado com os novos materiais que surgem e com as tendências da arquitetura, além de ter a mente aberta a qualquer novidade. Isto parte até mesmo dos próprios profissionais da área, que nas Casas Cor da vida insistem em denominar os ambientes que criam como 'o quarto do jovem casal' ou 'o apartamento do jovem executivo' e por aí vai, como se as pessoas de mais idade não existissem e não precisassem de quartos ou de apartamentos."

Marta Barcellos é colunista do Digestivo Cultural.
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